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PORQUE A CRISE É TÃO ASSUSTADORA?

Início: 30/05/2016

Digo isto porque lembrei de um de meus pacientes, um homem que o ocupa um cargo de gerência numa empresa há mais de 10 anos. Ele chegou até a clínica procurando ajuda por estar ansioso (mas não qualquer ansiedade, ele estava paralisado de tanta ansiedade), já havia iniciado um tratamento medicamentoso que o ajudava a dormir melhor mas ao longo do dia percebia que isso não era suficiente.

Pois bem, iniciamos seu processo terapêutico e identificamos que grande parte de sua ansiedade era proveniente desse quadro econômico do país ou seja, ele temia perder o emprego, ainda que não tivesse indício algum disso em sua empresa, no momento.

Até aqui tudo bem, acredito inclusive que muitas pessoas devem estar passando por isto, mas o curioso é que quando questionado sobre o que de pior poderia acontecer caso ele fosse realmente demitido identificamos que o pior seria não saber o que fazer depois disso. Ele na verdade nunca tivera objetivos profissionais que não fossem apenas estar empregado, aliás ele sequer sabia se gostava do que estava fazendo, ele apenas estava agarrado a “segurança” que havia encontrado neste emprego e é aí que a “crise” vem cumprir com seu papel que é o de provocar mudanças, estimular a criatividade, a flexibilidade e a inovação, nada mais do que isso.

No senso comum dizemos que quando a gente não muda por bem, muda por mal e é isso que as crises geram, uma mudança “pela dor”. Claro que só estou escrevendo isto agora movida pelo o que o país vem passado, mas e o que dizer das crises internas, as famosas “crises existenciais”? Elas possuem o mesmo objetivo, nos mostrar que algo não vai bem e que precisamos estar inteiros e atentos para abrir mão daquilo que não serve mais e ir em busca do que faz de fato sentido para nós.

O interessante é que neste caso do meu paciente assim como de muitas outras pessoas, vemos uma tendência natural do ser humano que é buscar a sua zona de conforto, que sejamos sinceros, é sempre muito boa, acontece que nesta zona de conforto, não conseguimos gerar aprendizado em outras palavras, paramos no tempo, estagnamos em nosso desenvolvimento, entretanto, não fomos feitos para parar, nossa natureza nos impele constantemente a sair dessa zona de conforto e buscar uma zona que chamamos de aprendizado.

Na zona de aprendizado a perspectiva vai além de apenas de obter informações, uma vez que ela gera a capacidade de expandir, incorporar habilidades que tornam possíveis novos resultados, ou seja, estamos falando de uma aprendizagem ativa, que gera compromisso, responsabilidade e mudança, é esta zona torna possível alcançarmos nossos sonhos. Claro que abrir mão da zona de conforto não é fácil, afinal quando pensamos em abrir mão de algo, interpretamos essa ação como perda e não como troca, já parou para pensar nisso? A dificuldade em expandir nossa zona de conforto se torna ainda pior quando pulamos desse estágio para a zona de pânico.

Essa é a zona onde tudo é assustador, onde nossos pensamentos e emoções geram tantas distorções ou seja, tantas interpretações erradas, que ao menor sinal de perigo generalizamos os fatos e os interpretamos como catástrofes e isso tudo ocorre por estarmos tomados pelo medo. Mas diante do medo somos programados fisiologicamente a reagir de 03 maneiras diversas, basicamente, lutar, fugir ou paralisar, agora lhe pergunto, qual é a sua estratégia? A estratégia de meu paciente era claramente paralisar, suas funções cognitivas como atenção, concentração, memória, raciocínio já haviam sido prejudicas o que lhe paralisava, mas e você o que tem feito? Penso que seria um bom momento para refletir sobre o assunto, antes que você seja “tomado” pelas circunstâncias externas, sem um plano B.

Entendo também que estamos falando de uma nova perspectiva acerca da crise, da mudança e que nem sempre conseguimos agir conforme o ideal, não é isso que reivindicando. Esse texto vem lhe dizer, OUSE MAIS, saia da sua zona de conforto estabelecendo um limite de segurança para você mas ouse, comece com hábitos pequenos, o local onde você senta na mesa todos os dias, os restaurantes que frequenta, os lugares que costuma ir, os filmes que costuma assistir, as músicas que costuma ouvir, OUSE, expanda aos poucos suas possibilidades, quebre alguns hábitos, experimente doses de mudança, assim quando as grandes mudanças surgirem você não cairá de paraquedas na zona de pânico, mas terá a oportunidade de pensar em alternativas e surfar na zona de aprendizado.