Dicas

O que é o coaching afinal?

Início: 31/05/2016

E foi assim que o coaching se ramificou no âmbito empresarial, educacional, dentre outros. O fato é que dada sua eficiência, eficácia e rapidez (comparado á outros processos), o coaching vem sendo utilizado para os mais diversos objetivos e nos mais diversos contextos, sendo este um bom motivo para compreendermos melhor a cerca desta “ferramenta”.

Se observarem bem, tive o cuidado de colocar entre aspas a palavra ferramenta para indicar que o coaching não é em si uma ferramenta ele é mais que isso, seria mais indicado falarmos em termos de PROCESSO. Neste processo, o coach (profissional) busca abrir possibilidades de ação para que o coachee (cliente) assuma a mudança que deseja, desta forma, o coach age mais como um facilitador, um provocador, um questionador que busca estremecer as estruturas nas quais as pessoas, de um modo particular, são e estão no mundo gerando assim “a desejada mudança”.

Identificamos, entretanto, que a primeira premissa para realização de um processo de coaching, é a vontade de mudar, a “brecha” que mencionamos anteriormente, pois só existe coach com coachee, ou seja, não podemos trabalhar a fim de suscitar no cliente nenhuma crise, conflito ou ainda desejo de mudança e ainda que este cliente tenha sido enviado por uma empresa, por exemplo, a “crise” ou a “brecha” é definida pela empresa e assim o objetivo do processo será trabalhar a fim de auxiliar o cliente a obter os resultados necessários para este contexto.

Mas, retornando ao conceito, dentre todas as teorias a cerca do tema, a que encontrei maior semelhança com a minha prática profissional e consequentemente com meus valores pessoais foi a concepção de Leonardo Wolk que vê o coaching como um processo de aprendizagem.

Nessa perspectiva, o foco deixa de estar nas ações do cliente e passa a voltar-se para a sua forma particular de ser e agir no mundo, atuando diretamente em sua linguagem uma vez que é a linguagem que gera realidade e sentido. É somente neste processo de aprendizagem que conseguimos auxiliar o cliente a atingir objetivos e sonhos nunca antes pensados.

Cabe ainda esclarecer que abordamos a aprendizagem não sob a perspectiva de obter informações, mas vai além, uma vez que ela gera a capacidade de expandir, incorporar habilidades que tornam possíveis novos resultados, ou seja, estamos falando de uma aprendizagem ativa, que gera compromisso, responsabilidade, mudança e neste cenário o coach age como um gerador de contextos de aprendizagem. Por fim, podemos falar que o coaching tem por foco a aprendizagem e a responsabilidade ou ainda poderia correlacionar isto á aceitação (de si mesmo) e ao compromisso (com a mudança) do cliente para com seus objetivos.

E como se dá este processo?

Podemos considerar em linhas gerais que o processo se inicia determinando previamente o contexto/contrato adequado, ou seja, definiríamos tempo, lugar, confidencialidade, identificação do problema/crise, etc.. Em seguida abordaríamos a questão apresentada pelo cliente dando foco ao espaço existente entre sua intenção e o resultado desejado, ou seja, abordamos a “brecha” interpretativa, questionando sobre as suposições, a fundamentação dos julgamentos, as suas percepções e emoções.

Nesta etapa o objetivo é compreender, interpretar, explorar, enfim, buscaríamos suscitar no cliente formas de assumir responsabilidade frente ás circunstâncias, explorando as alternativas e determinando o curso de ação possível.

Em seguida entramos em acordo sobre os objetivos do processo a fim de fixar metas, projetar ações específicas, agimos neste momento como um treinador de habilidades para o cliente na simulação e na prática de eventos futuros, dentre outros.

Como diferenciar o coaching da Psicoterapia?

Encontramos sim algo em comum com os processos de coaching e psicoterapia, entretanto, a fim de que não haja invasão dos campos profissionais, é importante pontuar que embora ambos sejam dialógicos, ou seja, operam na linguagem, o coaching tem por objetivo o foco dado pelo cliente este que deve ser determinado num contexto anterior ao início do processo e que não tem caráter clínico, não se estabelece segundo a polaridade do “normal x patológico”, deixando este referencial, se é que podemos assim denominar, para a psicoterapia, além disso, os pressupostos teóricos e metodológicos de cada abordagem são bem diferentes embora o coaching como prática mais recente, se utilize amplamente de conceitos da psicoterapia.

Por fim, é importante ressaltar que muitas vezes nos deparamos com pacientes com demanda para um processo de coaching e de clientes com demandas para um processo de psicoterapia. O fato é que um processo não é melhor nem mais efetivo do que outro, pois o que/quem determina o “melhor” para o cliente é ele próprio, cabe a nós profissionais esclarecer o papel de cada processo (nunca induzir) e a partir dai conduzir o cliente tomando o cuidado de diferenciar cada uma das abordagens, conscientizando-se de que o profissional, seja ele coach ou terapeuta está presente para ser facilitador deste processo de (psico)aprendizagem e consequentemente para promover maior nível de satisfação sobre si mesmo e sobre o mundo.